O Futuro do Trabalho: Inclusão e Sustentabilidade como Caminho Viável

23/09/2026

O envelhecimento da força de trabalho brasileira já não é uma previsão, mas uma realidade que exige ações urgentes. Mais do que debater o tema, precisamos propor soluções concretas que promovam a inclusão e garantam igualdade de oportunidades para os talentos maduros no mercado.

No Brasil, a questão dos profissionais 60+ não se limita à gestão da diversidade; é uma questão de sustentabilidade econômica e sobrevivência. A chamada "Geração Prateada" representa hoje um quinto da população em idade para trabalhar. Muitos desses profissionais desejam continuar ativos para garantir seu sustento e saúde, mas enfrentam vulnerabilidades significativas. Portanto, torna-se imperativo que tanto o setor público quanto a iniciativa privada desenvolvam políticas robustas que promovam a convivência entre gerações.

Considerando que mais da metade dos trabalhadores com 60 anos ou mais estão em empregos informais, precisamos criar culturas corporativas mais saudáveis, requalificação contínua e combate ao etarismo para atrair e manter a "Geração Prateada" empregada.

Dados levantados pela pesquisadora Janaína Feijó, da FGV IBRE, e por Bárbara Beatriz Freitas, do Nexo Políticas Públicas (Cebrap), revelam que a participação dos 60+ na População em Idade Ativa (PIA) saltou de 15% para 20% em um curto período. Isso representa 3,7 milhões de novos ingressantes na força de trabalho entre 2012 e 2024. O cenário, contudo, aponta para a precarização: 53,8% desses profissionais estão na informalidade. Esse índice é alarmante, pois reflete salários mais baixos e a submissão a jornadas exaustivas, justamente em uma fase da vida que exigiria uma rotina mais equilibrada e segura.

Conforme essas pesquisas, trabalhadores 60+ buscam, acima de tudo, manter-se ativos e realizar um propósito de vida. No entanto, enfrentam desafios como a exigência de fluência em novas tecnologias e o etarismo no ambiente corporativo, onde muitas vezes são vistos com certa desconfiança acerca de seus conhecimentos e como pessoas que, por já não terem tanta agilidade, podem comprometer a entrega de resultados.

Se líderes empresariais e governamentais não se atentarem a estas questões, construiremos um futuro incerto e insustentável. É hora de agir, promover inclusão e criar um ambiente de trabalho que valorize a experiência, garantindo que todos tenham a oportunidade de contribuir de forma significativa e digna. Garantir espaço para a Geração Prateada não é apenas um ato de justiça geracional; é a única via para a sustentabilidade econômica do país nas próximas décadas. Simbora ?

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