Copa do Mundo: o que o RH recomenda às empresas sobre folgas, jornada e o reforço sazonal de equipes

Com o início da Copa do Mundo, volta à pauta uma dúvida recorrente em empresas e entre trabalhadores: existe direito à folga nos dias de jogo da Seleção Brasileira? A legislação não prevê dispensa obrigatória por eventos esportivos, e a decisão sobre flexibilizar ou não a jornada cabe a cada empregador. Na prática, a forma como a empresa conduz esse período impacta tanto a produtividade quanto o clima organizacional, e, no Ceará, movimenta diretamente setores que dependem do consumo gerado pelas transmissões.
Antenor Tenório, vice-presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos do Ceará (ABRH-CE), esclarece os principais pontos e orienta gestores e profissionais de RH:
O colaborador tem direito à folga?
"Não existe, pela legislação trabalhista brasileira, um direito automático à folga em dias de jogos da Seleção Brasileira. A liberação do colaborador fica a critério de cada empresa, que pode adotar medidas como flexibilização de horário, trabalho remoto, antecipação de jornada ou até mesmo a dispensa parcial do expediente, conforme sua realidade operacional e política interna", explica Antenor.
A empresa pode exigir compensação de horas?
"Caso a empresa opte por liberar os colaboradores durante o horário dos jogos, é possível estabelecer a compensação das horas não trabalhadas, desde que sejam observadas as regras previstas na legislação, em acordos coletivos ou em sistemas de banco de horas já existentes. O importante é que haja transparência na comunicação e alinhamento prévio entre empresa e colaboradores", afirma.
A recomendação do RH: planejar
"A principal recomendação é o planejamento. As empresas devem definir com antecedência como será o funcionamento durante os jogos e comunicar claramente as regras aos colaboradores. Medidas como horários flexíveis, escalas de trabalho, banco de horas e trabalho remoto podem contribuir para manter a produtividade sem abrir mão do engajamento e do clima organizacional. Além disso, momentos como esses podem ser aproveitados para fortalecer a integração das equipes e a cultura organizacional", recomenda o vice-presidente.
Impacto no mercado de trabalho cearense
"A expectativa é de um impacto positivo principalmente nos setores de comércio, bares, restaurantes, turismo, hotelaria, eventos e serviços. Em Fortaleza, a movimentação dos jogos costuma aumentar o fluxo de consumidores em estabelecimentos que promovem transmissões, ações promocionais e eventos temáticos. Isso pode gerar oportunidades temporárias e reforço de equipes, especialmente para funções de atendimento ao cliente, vendas, garçom, cumim, bartender, operador de caixa, promotor de vendas e apoio operacional. No entanto, a tendência é de crescimento pontual e sazonal, com muitas empresas optando por ampliar jornadas, escalas e equipes temporárias em vez de realizar grandes contratações permanentes", avalia Antenor.
Segundo o vice-presidente da ABRH-CE, os setores que devem concentrar a maior demanda são:
- Bares e restaurantes;
- Hotelaria e turismo;
- Comércio varejista (especialmente vestuário, artigos esportivos, bebidas e eletrônicos);
- Eventos e entretenimento;
- Serviços de atendimento ao público e vendas.
Sobre a ABRH-CE
A ABRH-CE é uma entidade sem fins lucrativos dedicada ao desenvolvimento e à valorização de pessoas e organizações. Sob a presidência de Kássia Sales (triênio 2025–2027), a associação promove eventos de relevância para o mercado, como o CearáRH e o Prêmio Ser Humano, e atua por meio das regionais Cariri, Norte e Metropolitana de Fortaleza. Simbora lá?

