“Amarelão” dos bebês pode causar complicações no sistema nervoso

20/09/2021
A icterícia, conhecida como “amarelão”, atinge mais de 80% dos recém-nascidos e, se controlada, não apresenta riscos à saúde. Uma das características é a coloração amarelada nos olhos e na pele do bebê e ocorre devido ao excesso de bilirrubina no sangue. A quebra das hemoglobinas dos recém-nascidos é uma das causas do excesso desta substância. As hemoglobinas fetais são substituídas e a destruição dessas células liberam diversas substâncias, entre elas a bilirrubina. O organismo metaboliza as substâncias extras e as eliminam. No caso da icterícia, a bilirrubina acumula-se na pele do bebê causando a pigmentação amarelada. Sobre este assunto, o blog ouviu as enfermeiras neonatal Vanessa Remigio e Juliana França.

 

De acordo com a enfermeira, a icterícia em recém-nascidos pode ser justificada pela capacidade limitada do fígado do bebê para processar toda a quantidade de bilirrubina produzida. “É a forma mais comum da doença. Mas a doença pode ser causada também pela incompatibilidade do sangue da mãe e do bebê”, relata a Enfermeira Neonatal.


A icterícia se manifesta a partir do segundo dia após o nascimento e pode durar cerca de dez dias, ficando mais amarelada no quinto ou sexto e desaparecendo, geralmente começando pela cabeça, tórax, barriga e pernas. O diagnóstico é clínico e a doença é classificada de acordo com as zonas de intensidade da pigmentação. Posteriormente, é realizado o exame de sangue para detectar o nível de bilirrubina presente. De acordo com a Enfermeira Juliana França, é essencial saber o grau da doença para que não aumente.


Quando a icterícia não desaparece sozinha, a indicação é a fototerapia, também conhecida como banho de luz. A técnica consiste em colocar o bebê em um aparelho em contato com várias lâmpadas para ajudar a diluir a pigmentação, que será convertida pela luz e excretada por meio das fezes. 


“O banho de sol é indicado para todos os recém-nascidos, mas não é tão eficiente em graus mais avançados da icterícia. O bebê deve ficar no máximo 10 minutos no sol natural, já na fototerapia ele pode ficar 24 horas ininterruptas quantos dias forem necessários para a melhora da doença”, afirma Juliana França.


Outra causa da icterícia é devido à incompatibilidade de sangue entre mães e o bebê, como por exemplo, Rh- e RH+. Com a incapacidade de apurar o pigmento, a substância pode seguir para a corrente sanguínea e chegar ao sistema nervoso central. “A icterícia é uma doença comum, mas quando não é tratada corretamente pode causar convulsões e surdez”, alerta.


Para as famílias que não querem deixar o bebê na UTI para fazer a fototerapia, a indicação é fazer em casa. Muitos tem a preocupação de não deixar a criança no hospital exposta a outras doenças. Neste caso, hoje, existe a possibilidade de alugar equipamentos e ter esse tratamento de forma domiciliar. Sempre com orientação e acompanhamento de profissionais capacitados. “Durante esse período de pandemia muitos pais optaram por fazer o tratamento em casa”, afirma a Enfermeira Vanessa.


#FONTE:
- Enfermeira neonatal Juliana França e Silva Câmara 
- Enfermeira neonatal Vanessa Paula Carneiro Remígio